Temer anuncia força-tarefa para cuidar do fluxo migratório de venezuelanos em Roraima


O presidente Michel Temer (PMDB) disse nesta segunda-feira (12) que vai criar uma força-tarefa para lidar com a imigração em massa de venezuelanos para Roraima. Durante discurso, feito em reunião em Boa Vista, Temer afirmou que será feito um comitê de acompanhamento, com uma coordenação nacional para lidar com a questão. G1 acompanhou em tempo real.

No discurso, o presidente falou sobre os impactos da imigração desordenada de venezuelanos para o estado, afirmou que deve editar uma medida provisória sobre o assunto até quinta-feira (15) e que vai garantir recursos para o estado. Ele não precisou quanto de dinheiro irá destinar para Roraima.

"Será uma coordenação federal em conjunto com estado para solucionar essa questão que aflige Roraima e todo o território brasileiro. Para tanto, quero editar talvez na quarta, ou no mais tardar na quinta, uma MP que tratará desse assunto. Não faltará recursos para solucionar essa questão dos venezuelanos tanto no aspecto humanitário como a solução pro estado de Roraima", declarou o presidente.

Venezuelanos "muitas vezes trabalham tirando emprego de roraimenses", diz Temer

Temer também disse que o objetivo é levar os imigrantes que estão em Roraima a outros estados brasileiros. Porém, ele não detalhou de que forma será feita a transferência dos imigrantes venezuelanos para outros estados, nem quando ela será realizada. A comitiva de Temer chegou a capital às 11h22 (hora local).

"A ideia é que os possa conduzir a outros estados brasileiros. Vejo que esse afluxo intenso de venezuelanos cria problemas para o estado de Roraima e vai criar para outros estados brasileiros se não tomarmos algumas medidas e providência de natureza federal".

O encontro foi a portas fechadas e ocorreu no Palácio Senador Hélio Campos, sede do governo de Roraima. Lá estavam presentes os ministros Raul Jungman (Defesa), Torquarto Jardim (Justiça), Moreira Franco (Secretaria-geral da Presidência), e o general Sergio Etchegoyen (GSI). Do lado de fora, manifestantes protestaram.

Reunião com o presidente Temer começou às 11h22 (hora local) no Palácio Senador Hélio Campos, em Boa Vista (Foto: Inaê Brandão/G1 RR)Reunião com o presidente Temer começou às 11h22 (hora local) no Palácio Senador Hélio Campos, em Boa Vista (Foto: Inaê Brandão/G1 RR)

Reunião com o presidente Temer começou às 11h22 (hora local) no Palácio Senador Hélio Campos, em Boa Vista (Foto: Inaê Brandão/G1 RR)

Também participaram da reunião a governadora de Roraima Suely Campos (PP), a prefeita da capital Teresa Surita (PMDB), o senador Romero Jucá (PMDB), Juliano Torquato (PRB), prefeito de Pacaraima - cidade na fronteira -, deputados, secretários e demais autoridades locais.

Após o discurso do presidente, o ministro Raul Jungmann disse que as Forças armadas vão duplicar os postos de controle no interior de Roraima, particularmente, entre Pacaraima e Boa Vista, que um hospital de campanha será deslocado à fronteira, e que serão construídos centros de triagem em conjunto com municípios e governo.

"Se o problema é fisicamente localizado em Roraima, ele é um problema nacional, e o presidente entendeu que nesse sentido teremos uma coordenação da ação humanitária federal que ficará ao encargo das Forças Armadas", declarou. Ele não disse quando o hospital será instalado.

Após reunião, governadora Suely Campos disse em coletiva que encontro foi satisfatório (Foto: Inaê Brandão/G1 RR)Após reunião, governadora Suely Campos disse em coletiva que encontro foi satisfatório (Foto: Inaê Brandão/G1 RR)

Após reunião, governadora Suely Campos disse em coletiva que encontro foi satisfatório (Foto: Inaê Brandão/G1 RR)

A crise migratória venezuelana foi a principal pauta da reunião. A prefeitura de Boa Vista estima que já tenham 40 mil venezuelanos vivendo na capital. Autoridades locais cobraram ajuda para lidar com a situação. Nos últimos três anos já foram feitos mais de 20 mil pedidos de refúgio de venezuelanos em Roraima.

 

Foi anunciado na reunião:

 

 

  • Dobrar efetivo do exército na fronteira;
  • Hospital de campanha na fronteira;
  • Centros de triagem em conjunto com municípios e estado;
  • Recursos para Roraima lidar com a imigração;
  • Medida Provisória sobre a questão;
  • Deslocamento dos imigrantes para outros estados;

 

Na frente do palácio, manifestantes fizeram um protesto contra a privatização do setor elétrico, reforma da previdência e demais privatizações propostas pelo governo federal. Eles também gritaram "Fora, Temer". A organização disse que 300 pessoas estiveram no ato que terminou às 13h. A Polícia Militar, que fez a segurança no local, não informou estimativa de participantes.

Depois da reunião, o presidente falou brevemente com a imprensa, mas não respondeu perguntas. Em seguida, ele e a comitiva que o acompanhou seguiram para a Base Aérea de Boa Vista. De lá, o presidente embarcou para o Rio de Janeiro, às 14h53 (hora local).


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